Uma comitiva de empresários, líderes sindicais do setor metalmecânico e políticos da região de Piracicaba se reuniu com o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, nesta quarta-feira (20), em Brasília. O objetivo do encontro foi reivindicar medidas para reduzir, a curto e médio prazo, os impactos do tarifaço de 50% imposto pelo governo norte-americano às exportações brasileiras.
A comitiva contou com a participação da empresa metalúrgica riopedrense Painco, representada por Daniela Gobbo Cordeiro, além de André Antônio Simioni, da empresa Tecparts; Erick Gomes, presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas, de Material Elétrico, Eletrônico, Siderúrgicas e Fundições de Piracicaba, Saltinho e Rio das Pedras (Simespi); Wagner da Silveira, representante do Sindicato dos Metalúrgicos; o prefeito de Piracicaba, Helinho Zanatta (PSD); e a deputada estadual Professora Bebel.
Na reunião, o Simespi pediu ao governo federal medidas de caráter emergencial, como apoio às exportações, preservação de empregos, garantia da competitividade da indústria local, desoneração temporária da folha de pagamento, devolução mais rápida de créditos de ICMS para exportadoras e o reforço das negociações diplomáticas com o governo norte-americano.
De acordo com o Simespi, o setor metalmecânico da região reúne mais de 1.400 empresas, que empregam mais de 30 mil pessoas. Se as tarifas persistirem, a estimativa é de que, a partir de novembro, cerca de 5.000 trabalhadores perderão seus empregos, representando um custo de R$ 60 milhões ao governo federal em seguro-desemprego e uma redução de aproximadamente R$ 2 milhões na circulação de recursos oriundos de vales-alimentação na economia local.
Responsável por 57,3% das exportações piracicabanas, o setor de máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos movimentou aproximadamente US$ 569 milhões. Desse montante, US$ 522 milhões, mais de 90% correspondem à Caterpillar, multinacional norte-americana que emprega cerca de 5 mil pessoas na região. Em nota, a empresa afirmou que acompanha as negociações e só tomará decisões de longo prazo quando houver mais clareza no cenário econômico.
Piracicaba é a 4ª cidade do Brasil que mais exporta para os EUA e, segundo estudo realizado pelo Estadão, é a mais afetada do país pelo aumento tarifário de Donald Trump. Estimativas apontam que, sozinha, a “Noiva da Colina” deve sofrer um impacto de aproximadamente US$ 1,3 bilhão. No primeiro semestre, os Estados Unidos responderam por US$ 701 milhões das exportações de Piracicaba, o equivalente a 32% das vendas externas do município.
Além do setor metalmecânico, os produtos de açúcar, confeitaria e químicos orgânicos também estão entre os segmentos que podem sofrer impactos.