PAPO DE ESPECIALISTA
O que fazer quando tem hérnia de disco?
Confira o artigo da Dra. Ana Claudia Petrini, fisioterapeuta mestre em Fisioterapia, com formação completa em Osteopatia e mais de 10 anos de experiência
Publicado em 14/05/2026 às 16:31
A primeira e mais importante “coisa” a se fazer é manter a calma. Receber um diagnóstico de hérnia de disco não significa que você nunca mais poderá se movimentar, trabalhar, treinar ou viver normalmente.
Hoje, com toda evolução científica e terapêutica, sabemos que alterações como hérnia de disco também aparecem em pessoas sem dor. Ou seja: encontrar uma hérnia em um exame não significa, necessariamente, que ela seja a causa do problema.
É muito comum que exames de imagem, como a ressonância magnética, mostrem protrusões ou hérnias discais em indivíduos completamente assintomáticos. Por isso, o diagnóstico não deve ser baseado apenas na imagem, mas, principalmente, na avaliação clínica e funcional do paciente.
Além disso, nem toda dor nas costas que irradia para as pernas, ou dor no pescoço que irradia para os braços, é causada pela hérnia de disco.

Os sintomas de uma verdadeira crise discal costumam ser específicos e, na maioria dos casos, apresentam evolução favorável. A literatura científica mostra que grande parte das hérnias melhora espontaneamente ao longo das semanas, especialmente quando há acompanhamento adequado.
Mais importante do que “tratar a hérnia”, é tratar a pessoa.
E é exatamente aí que entra a importância de um tratamento estruturado, com começo, meio e fim.
Muitas pessoas melhoram temporariamente da dor, mas não modificam aquilo que levou o corpo ao problema. Quando isso acontece, o corpo volta ao mesmo padrão de sobrecarga e, consequentemente, as crises tendem a retornar.
Aqui na clínica, nosso método de tratamento é dividido em duas fases fundamentais.
Fase 01 — Osteopatia e Terapia Manual
A primeira etapa do tratamento tem como principal objetivo controlar a dor e reorganizar o funcionamento do corpo.
Nessa fase utilizamos recursos de Osteopatia e Terapia Manual com foco em reorganização sensório-motora, neurofisiológica, neurodinâmica e biomecânica.
O objetivo é reduzir a dor, melhorar mobilidade, diminuir sensibilizações do sistema nervoso, restaurar movimento e preparar o corpo para evoluir de forma segura para a próxima etapa.
Em outras palavras: primeiro, precisamos fazer o corpo sair do estado de proteção e sofrimento.

Fase 02 — Mudança de capacidade física
Após o controle da dor, entra uma etapa extremamente importante e frequentemente negligenciada. Não basta apenas “tirar a dor”, é preciso tornar o corpo melhor, mais forte, mais preparado.
Se o corpo continuar exatamente igual em força, resistência muscular, mobilidade, flexibilidade e capacidade física, por exemplo, a chance de o problema retornar em alguns meses é real.
Por isso, a segunda fase do tratamento é baseada em exercícios terapêuticos direcionados e individualizados, com foco em ganho de capacidade física e funcional.
O movimento é parte essencial do tratamento. É através dele que o corpo cria adaptação, tolerância e resiliência.
O objetivo final não é apenas fazer a dor desaparecer, mas construir um corpo mais preparado para a vida, para o trabalho, para o esporte e para as atividades do dia a dia.
A hérnia de disco não precisa ser vista como uma sentença.
Com avaliação adequada, tratamento individualizado e um processo terapêutico bem conduzido, é possível voltar a se movimentar com segurança, confiança e qualidade de vida.
Na nossa clínica, cada atendimento é individualizado, com foco em entender o seu corpo, sua rotina e o que está por trás dos seus sintomas.
Se fizer sentido para você, será um prazer ajudarmos você nesse processo.

Ana Claudia Petrini
Crefito: 197096-F – Fisioterapeuta, Mestre em Fisioterapia, Formação completa em Osteopatia, com mais de 10 anos de experiência clínica em Terapia Manual.
📚 Referências científicas:
Kreiner, D. S. et al. Evidence-Based Clinical Guidelines for Multidisciplinary Spine Care: Diagnosis and Treatment of Lumbar Disc Herniation with Radiculopathy. North American Spine Society (NASS), 2014.
Chiu, C. C. et al. The probability of spontaneous regression of lumbar herniated disc: a systematic review. Clinical Rehabilitation, 2015.

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Fonte: Portal da Cidade Rio das Pedras
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